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21 de fevereiro de 2014

Alterações em Nomes de Escolas

No dia 12 de fevereiro foi publicada no Diário Oficial da Bahia a mudança do nome do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici para Colégio Estadual Carlos Marighella, em Salvador.
A mudança do nome da escola foi decidida em dezembro de 2013, após a realização de uma votação com participação de professores, estudantes e pais. O nome vencedor, com 406 votos (69%) foi o de Marighella, guerrilheiro dirigente da ALN (Ação Libertadora Nacional), assassinado durante o governo Médici por agentes de repressão quando foi surpreendido desarmado. A sugestão que ficou em segundo lugar (128 votos) foi o nome do geógrafo baiano Milton Santos, obrigado a se exilar durante a ditadura civil-militar. A Secretaria de Educação incentivou o debate na escola e acatou o resultado da votação. A campanha para a mudança de nome teve início a partir de um trabalho realizado pela professora de sociologia Maria Carmen.

Outra escola que teve seu nome alterado para "desomenagear" um ditador é o Colégio Estadual Costa e Silva, de Nova Iguaçu (RJ), que passou a se chamar Colégio Estadual Abdias Nascimento. A mudança ocorreu por iniciativa da Comissão Estadual da Verdade do RJ, com apoio das Secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos, e de Educação.

Na rede pública brasileira, existem quase mil escolas com nomes homenageando ditadores que governaram o país entre 1964 e 1985.

Link para a notícia no blog de Mário Magalhães, autor da biografia de Marighella (no artigo há um link para o vídeo sobre o trabalho da professora de sociologia que iniciou o debate e a campanha para a mudança de nome da escola).

4 de setembro de 2013

41 anos da morte de Luiz Eurico Lisbôa

Nesta semana se completaram 41 anos do assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, ex-aluno do Julinho. Luiz Eurico foi expulso da escola pela sua militância estudantil, preso e fichado no DOPS pela tentativa de reabrir o Grêmio Estudantil da escola, atuou na direção da UGES e entrou para a luta armada, integrando a VAR-Palmares e a ALN. Foi assassinado pela repressão em São Paulo em 1972 e sepultado com nome falso no cemitério de Perus, em São Paulo. A versão oficial era de suicídio. Seus restos mortais foram identificados em 1979, após uma longa busca de sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna do Julinho. Este ano, uma perícia nas fotografias e no laudo desmentiu a tese do suicídio.

Trecho de uma carta de Luiz Eurico à Suzana, publicada no livro Condições Ideais Para o Amor:
Fiquei com pena de todos eles, Suzana. Dos que mentem, dos que invejam, dos empertigados, dos ambiciosos, dos que fazem do amor um remédio, um passatempo, um negócio, um paliativo. E percebi quão poucos entre nós chegaram ao sentimento final do combate que travamos. Eles não compreendem, Suzana, que nós somos um momento na luta que o Homem vem enfrentando através da História, cada vez mais conscientemente, pela felicidade. Não entendem que nós buscamos, em última análise, as condições ideais para o amor. Tanto no plano coletivo, como individual. E acabam negando, no dia-a-dia, como eu neguei até te conhecer, o objetivo que aparentaram querer atingir.

Leia matéria publicada nesta segunda-feira no site Sul21 sobre Luiz Eurico.

* A revolução que está por vir: 41 anos sem Luiz Eurico Tejera Lisbôa (link para a matéria no Sul21).