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14 de setembro de 2014

Brasil Agradece ao Chile

Fotografia: Tatiana Xavier.

Na última quinta-feira, 11 de setembro, tivemos a oportunidade de receber na escola a terceira edição do evento Brasil Agradece ao Chile, promovido pelo Comitê Carlos de Ré da Memória, Verdade e Justiça. Este evento tem por objetivo resgatar a história do golpe militar chileno, a cooperação entre os governos militares na repressão, e as memórias da luta contra as ditaduras da América Latina. É também um agradecimento dos brasileiros e brasileiras exilados, pela acolhida que tiveram no Chile até 1973, quando ocorreu o golpe naquele país.
 
A primeira edição do Brasil Agradece ao Chile foi realizada em Porto Alegre, em 2012, no Sindbancários, com palestras, oficinas, cine debates, sarau e mostra fotográfica. A segunda edição, realizada em 2013, quando se completaram 40 anos do golpe chileno, foi realizada no Chile, resgatando as memórias de exílio através de atividades culturais, protestos simbólicos, homenagens e visitações a locais emblemáticos para as ditaduras brasileira e chilena.
 
Agora, tivemos a honra de receber a terceira edição no Julinho, escola em que estudaram vários dos militantes exilados que viveram no Chile, a exemplo de Carlos Beust, Dirceu Messias, Nilton Rosa e Jorge Basso (os dois últimos assassinados durante o período da ditadura civil-militar, Nilton no Chile e Jorge na Argentina). A realização desta atividade na escola foi proposta ao grupo do nosso projeto pelos representantes do Comitê Carlos de Ré, Raul Ellwanger, músico que esteve exilado no Chile entre o final de 1970 e 1973, e Thiago.
 
À esquerda, Dirceu Messias, e à direita Raul Ellwanger.
Fotografia: Tatiana Xavier.


Durante a manhã foram expostos banners produzidos pelo Comitê Carlos de Ré. Na abertura, as alunas Mariana Fraga e Maria Camila fizeram a leitura de dois poemas, de autoria dos ex-alunos Luiz Eurico Lisboa e Nilton Rosa. A professora Helena Mesquita falou em nome da direção da escola e Raul Ellwanger em nome do Comitê.

Foi exibida uma apresentação de slides intitulada O Julinho e Seus Simpáticos Subversivos, produzida por membros do Comitê, e o documentário curta-metragem Exilados, do diretor Boca Migotto, que tem como personagem o ex-aluno Carlos Beust. Na última parte, Raul Ellwanger e Dirceu Messias deram depoimentos, e Raul fez o encerramento tocando a canção Eu Só Peço a Deus.
 
Fotografia: Tatiana Xavier.

Nos próximos dias publicaremos outros textos com mais detalhes sobre as atividades do evento e sobre os participantes. As fotografias publicadas aqui foram feitas por Tatiana Xavier, historiadora e ativista participante do Comitê Carlos de Ré e da Anistia Internacional.

Agradecemos a todos os membros do Comitê, e aos professores, funcionários e alunos da escola que se envolveram contribuindo de alguma forma com a organização, bem como à direção, pelo esforço que fizeram para garantir que o evento ocorresse.

15 de julho de 2014

Desapropriação do Dopinha

O projeto de lei que autoriza a liberação de verba para a desapropriação do terreno que abriga o antigo Dopinha, local utilizado entre 1966 e 1971 como centro clandestino de detenção e tortura, situado no n. 600 da rua Santo Antônio, deve ser encaminhado pela prefeitura à Câmara Municipal em três semanas.
O projeto inclui autorização para compra do terreno, isenção de pagamento de IPTU, e vinculação da aquisição à finalidade de uso do imóvel para abrigar o Centro de Memória Ico Lisboa. A desapropriação do imóvel é reivindicada pelo Comitê Carlos de Ré da Memória, Verdade e Justiça, que será responsável pela criação do memorial, cujo nome homenageia Luiz Eurico Tejera Lisboa.


Expectativa é que texto chegue à Câmara da Capital em três semanas
Lívia Araújo

Dentro de três semanas, a prefeitura de Porto Alegre deve encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei que autoriza a liberação de verba para a desapropriação do terreno que abriga o antigo Dopinha, no número 600 da rua Santo Antônio, em Porto Alegre, e que, entre 1966 e 1971, abrigou um local clandestino de prisão, tortura e morte de militantes perseguidos pela ditadura militar. A informação é do integrante do Comitê Carlos de Ré da Verdade, Memória e Justiça, vereador Pedro Ruas (P-Sol), que esteve reunido, na semana passada, com o prefeito José Fortunati (PDT) e o secretário municipal da Fazenda, Roberto Bertoncini.
De acordo com a coordenadora-geral do comitê, Christine Rondon, no projeto constam a autorização para a compra do terreno, a isenção do pagamento do IPTU e a vinculação da aquisição à finalidade de uso posterior do imóvel, que abrigará o Centro de Memória Ico Lisboa, destinado a ser um espaço para lembrar a resistência ao regime. Na reunião, o Executivo municipal apontou a necessidade de desmembramento da avaliação do terreno e do imóvel e suas benfeitorias. O Executivo estadual arcará com o pagamento da casa e benfeitorias. De acordo com a Casa Civil, o governo do Estado aguarda o retorno da prefeitura sobre os documentos enviados para inclusão no projeto. Conforme a Secretaria Municipal da Fazenda (SMF), a avaliação do imóvel feita pelo governo do Estado é de R$ 2,15 milhões – por essa estimativa, o valor do terreno não foi separado do das benfeitorias. Por isso, o imóvel passará por nova avaliação, a cargo da Unidade de Avaliação de Imóveis da SMF, para separar os dois valores. Isso é necessário porque há uma definição de que a desapropriação ocorra por Transferência de Potencial Construtivo (TPC), também conhecida como índice construtivo, que só pode ser utilizada na desapropriação do terreno. O valor das benfeitorias seria pago pelo Estado, e a diferença entre os 50% que cabem a cada uma das esferas, estadual e municipal, seria compensada por meio de convênio.
A desapropriação do casarão é reivindicada pelo comitê, que será também o responsável pela criação do memorial. O nome homenageia o militante político Luiz Eurico Tejera Lisboa, desaparecido em 1972, cujo corpo foi o primeiro a ser encontrado, em 1979, no cemitério clandestino de Perus, no estado de São Paulo, onde os militares depositavam os corpos de cidadãos torturados e mortos pela ditadura.
Ruas acredita que o projeto de lei seja aprovado sem contratempos, por se tratar de lei do Executivo e também por ser apoiado pela bancada de oposição. Segundo Ruas, após a desapropriação, o comitê terá condições de ocupar imediatamente o imóvel e realizar atividades culturais e palestras, além de abrigar documentos da época do regime militar. “Nossa urgência leva em conta que o Dopinha é o primeiro centro de sequestro, tortura e morte da América Latina concebido para essa finalidade. Por isso, qualifica-se para ser um sítio de memória de referência internacional”, destaca.
Atualmente, segundo a coordenadora-geral, o espaço já é aberto a atividades, como o evento que marcou o lançamento do Centro de Memória, em dezembro de 2013, pois a própria família proprietária é favorável à venda do imóvel.  O comitê está retomando o contato com o governo federal, através do Ministério dos Direitos Humanos, para negociar os custos das reformas e adequações necessárias no casarão. “Também temos possibilidade de buscar essa verba em parceria com outras secretarias e instituições”, afirma Christine.
O imóvel foi alugado clandestinamente pelo Exército em 1964, dificultando, por exemplo, a expedição de habeas corpus e tomada de depoimentos, já que não havia entrada oficial de prisioneiros no local. Um dos torturados e mortos no casarão foi o sargento Manoel Raimundo Soares, que, depois de morto, teve seu corpo atirado no Rio Jacuí. Apesar de ter as mãos amarradas, o laudo emitido pelas autoridades da época apontava que a causa da morte era suicídio. O episódio ficou conhecido como Caso das Mãos Amarradas.

23 de novembro de 2013

Ato público no Dopinha

Fotografia http://comitedaverdadeportoalegre.wordpress.com/
 
O Comitê Carlos de Ré da Verdade Memória e Justiça do Rio Grande do Sul promove, no dia 18 de dezembro, a partir das 12h, um ato público na casa conhecida como Dopinha, situada na rua Santo Antônio, nº 600, que era utilizada pelas forças de repressão como centro clandestino de tortura.

Às 19h30min ocorrerá um ato político, com a afixação de uma placa lembrando a função para a qual o imóvel era utilizado, e um sarau musical. O objetivo do ato é chamar a atenção da sociedade e pressionar os governos municipal, estadual e federal para a transformação do local em um memorial, o Sítio de Memória Ico Lisboa, homenageando Luiz Eurico Tejera Lisboa.

Um dos presos torturados no Dopinha foi o sargento Manoel Raimundo Soares, cujo corpo foi encontrado nas águas do Guaíba com as mãos e os pés amarrados. O episódio ficou conhecido como "caso das mãos amarradas".

O Comitê Carlos de Ré integra a Rede Brasil de Memória, Verdade e Justiça. Seu nome homenageia outro ex-aluno do Julinho que militou no movimento estudantil e combateu a ditadura militar, Carlos Alberto Tejera de Ré, primo de Luiz Eurico.


Leia a carta do Comitê Carlos de Ré lançando a campanha para a criação do memorial.