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20 de julho de 2014

Cláudio Gutiérrez no blog do APERS

O blog do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS) publicou um texto sobre o ex-aluno juliano Cláudio Antônio Weyne Gutiérrez.
Após ingressar no Julinho em março de 1965, Cláudio Gutiérrez iniciou sua militância estudantil com Luiz Eurico Lisboa. Ambos estudaram na escola até serem expulsos em maio de 1967, após a manifestação que ficou conhecida como “passeata da catedral”. No ano seguinte, já como membros da direção da UGES, ao retornarem à escola para tentar reabrir o Grêmio Estudantil, foram presos e fichados no DOPS.
Militante da VAL-Palmares e da ALN, Gutiérrez sofreu uma condenação no tribunal militar e exilou-se no Uruguai, onde foi preso. Escapou da deportação ao conseguir que sua situação chegasse ao conhecimento de um jornal que publicou sua história, e por ter direito à cidadania uruguaia. Após ser libertado, seguindo na sua militância, esteve ainda na Argentina, Bolívia e Chile.
Gutiérrez já contribuiu com o nosso projeto em diversos momentos, seja em conversas com o grupo, seja participando dos painéis que realizamos na escola desde 2012 e seu processo de indenização é um dos casos utilizados na Oficina de Educação Patrimonial Resistência em Arquivo:Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos, ministrada pela equipe do APERS.

15 de julho de 2014

Desapropriação do Dopinha

O projeto de lei que autoriza a liberação de verba para a desapropriação do terreno que abriga o antigo Dopinha, local utilizado entre 1966 e 1971 como centro clandestino de detenção e tortura, situado no n. 600 da rua Santo Antônio, deve ser encaminhado pela prefeitura à Câmara Municipal em três semanas.
O projeto inclui autorização para compra do terreno, isenção de pagamento de IPTU, e vinculação da aquisição à finalidade de uso do imóvel para abrigar o Centro de Memória Ico Lisboa. A desapropriação do imóvel é reivindicada pelo Comitê Carlos de Ré da Memória, Verdade e Justiça, que será responsável pela criação do memorial, cujo nome homenageia Luiz Eurico Tejera Lisboa.


Expectativa é que texto chegue à Câmara da Capital em três semanas
Lívia Araújo

Dentro de três semanas, a prefeitura de Porto Alegre deve encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei que autoriza a liberação de verba para a desapropriação do terreno que abriga o antigo Dopinha, no número 600 da rua Santo Antônio, em Porto Alegre, e que, entre 1966 e 1971, abrigou um local clandestino de prisão, tortura e morte de militantes perseguidos pela ditadura militar. A informação é do integrante do Comitê Carlos de Ré da Verdade, Memória e Justiça, vereador Pedro Ruas (P-Sol), que esteve reunido, na semana passada, com o prefeito José Fortunati (PDT) e o secretário municipal da Fazenda, Roberto Bertoncini.
De acordo com a coordenadora-geral do comitê, Christine Rondon, no projeto constam a autorização para a compra do terreno, a isenção do pagamento do IPTU e a vinculação da aquisição à finalidade de uso posterior do imóvel, que abrigará o Centro de Memória Ico Lisboa, destinado a ser um espaço para lembrar a resistência ao regime. Na reunião, o Executivo municipal apontou a necessidade de desmembramento da avaliação do terreno e do imóvel e suas benfeitorias. O Executivo estadual arcará com o pagamento da casa e benfeitorias. De acordo com a Casa Civil, o governo do Estado aguarda o retorno da prefeitura sobre os documentos enviados para inclusão no projeto. Conforme a Secretaria Municipal da Fazenda (SMF), a avaliação do imóvel feita pelo governo do Estado é de R$ 2,15 milhões – por essa estimativa, o valor do terreno não foi separado do das benfeitorias. Por isso, o imóvel passará por nova avaliação, a cargo da Unidade de Avaliação de Imóveis da SMF, para separar os dois valores. Isso é necessário porque há uma definição de que a desapropriação ocorra por Transferência de Potencial Construtivo (TPC), também conhecida como índice construtivo, que só pode ser utilizada na desapropriação do terreno. O valor das benfeitorias seria pago pelo Estado, e a diferença entre os 50% que cabem a cada uma das esferas, estadual e municipal, seria compensada por meio de convênio.
A desapropriação do casarão é reivindicada pelo comitê, que será também o responsável pela criação do memorial. O nome homenageia o militante político Luiz Eurico Tejera Lisboa, desaparecido em 1972, cujo corpo foi o primeiro a ser encontrado, em 1979, no cemitério clandestino de Perus, no estado de São Paulo, onde os militares depositavam os corpos de cidadãos torturados e mortos pela ditadura.
Ruas acredita que o projeto de lei seja aprovado sem contratempos, por se tratar de lei do Executivo e também por ser apoiado pela bancada de oposição. Segundo Ruas, após a desapropriação, o comitê terá condições de ocupar imediatamente o imóvel e realizar atividades culturais e palestras, além de abrigar documentos da época do regime militar. “Nossa urgência leva em conta que o Dopinha é o primeiro centro de sequestro, tortura e morte da América Latina concebido para essa finalidade. Por isso, qualifica-se para ser um sítio de memória de referência internacional”, destaca.
Atualmente, segundo a coordenadora-geral, o espaço já é aberto a atividades, como o evento que marcou o lançamento do Centro de Memória, em dezembro de 2013, pois a própria família proprietária é favorável à venda do imóvel.  O comitê está retomando o contato com o governo federal, através do Ministério dos Direitos Humanos, para negociar os custos das reformas e adequações necessárias no casarão. “Também temos possibilidade de buscar essa verba em parceria com outras secretarias e instituições”, afirma Christine.
O imóvel foi alugado clandestinamente pelo Exército em 1964, dificultando, por exemplo, a expedição de habeas corpus e tomada de depoimentos, já que não havia entrada oficial de prisioneiros no local. Um dos torturados e mortos no casarão foi o sargento Manoel Raimundo Soares, que, depois de morto, teve seu corpo atirado no Rio Jacuí. Apesar de ter as mãos amarradas, o laudo emitido pelas autoridades da época apontava que a causa da morte era suicídio. O episódio ficou conhecido como Caso das Mãos Amarradas.

25 de fevereiro de 2014

Visita ao Arquivo Público


Após o período de férias, retomando as pesquisas sobre os ex-alunos e professores envolvidos na luta contra a ditadura, no dia 19 de Fevereiro, eu e o professor Sérgio tivemos acesso aos processos de indenização aos torturados na Ditadura Militar, que estão no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Vimos os dos ex-alunos Luís Eurico Tejera Lisbôa, Carlos de Ré, Cláudio Gutierrez e do professor Décio Nunes Floriano. Pretendemos, ao longo do ano, voltar e analisar outros como os dos militantes Martinha (Ignez Maria Serpa Ramminger) e Losada (Antônio Losada).

20 de dezembro de 2013

O Ato no Dopinha

Durante o ato desta quarta-feira, o prefeito Fortunati e o governador Tarso Genro anunciaram que a prefeitura e o governo do estado irão dividir o valor do imóvel, dando prosseguimento ao processo de desapropriação, com o objetivo de criar no local o Centro de Memória Ico Lisboa. A reforma do imóvel e a manutenção ficarão a cargo do governo federal, e o prefeito informou que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, já se comprometeu com o projeto.

O ato contou com a participação de ativistas de movimentos que lutam pelos direitos humanos e pelo resgate da memória do período da ditadura, além de militantes de diversos partidos políticos. Houve uma apresentação do grupo de teatro Ói Nós Aqui Traveiz, e apresentações musicais de Nei Lisboa, Raul Ellwanger e outros.

Vídeo com a apresentação de Nei Lisboa (publicado por Edson Oliveira):


O cartunista Carlos Latuff fez um desenho durante o ato.

Carlos Latuff desenhando. Fotografia de Évelin Argenta (Rádio Gaúcha).

Tivemos a oportunidade de encontrar algumas das pessoas que tem colaborado com o nosso projeto, como Cláudio Gutierrez, Ignez Serpa, e o músico Raul Ellwanger, além de fazer novos contatos.

Sérgio, Bárbara, Suzana Lisboa, Ignez Serpa, Mariana.

* Fortunati e Tarso se comprometem a transformar antigo Dopinha em memorial contra a ditadura (notícia no Sul21).

3 de dezembro de 2013

Vídeo - ato no Dopinha

Vídeo chamando para o ato do dia 18, em frente ao Dopinha (antigo centro clandestino de tortura, na rua Santo Antônio, n. 600), pela transformação do imóvel em um centro de memória homenageando Luiz Eurico Lisboa.

23 de novembro de 2013

Ato público no Dopinha

Fotografia http://comitedaverdadeportoalegre.wordpress.com/
 
O Comitê Carlos de Ré da Verdade Memória e Justiça do Rio Grande do Sul promove, no dia 18 de dezembro, a partir das 12h, um ato público na casa conhecida como Dopinha, situada na rua Santo Antônio, nº 600, que era utilizada pelas forças de repressão como centro clandestino de tortura.

Às 19h30min ocorrerá um ato político, com a afixação de uma placa lembrando a função para a qual o imóvel era utilizado, e um sarau musical. O objetivo do ato é chamar a atenção da sociedade e pressionar os governos municipal, estadual e federal para a transformação do local em um memorial, o Sítio de Memória Ico Lisboa, homenageando Luiz Eurico Tejera Lisboa.

Um dos presos torturados no Dopinha foi o sargento Manoel Raimundo Soares, cujo corpo foi encontrado nas águas do Guaíba com as mãos e os pés amarrados. O episódio ficou conhecido como "caso das mãos amarradas".

O Comitê Carlos de Ré integra a Rede Brasil de Memória, Verdade e Justiça. Seu nome homenageia outro ex-aluno do Julinho que militou no movimento estudantil e combateu a ditadura militar, Carlos Alberto Tejera de Ré, primo de Luiz Eurico.


Leia a carta do Comitê Carlos de Ré lançando a campanha para a criação do memorial.

15 de novembro de 2013

Painel sobre Movimento Estudantil e Ditadura.

Raul Ellwanger, Bárbara Nunes, Maria Camila, Sérgio Ozório,
Mariana Fraga, Ignez Serpa, Cláudio Gutierrez, e Calino Pacheco.

No dia 9 de novembro foi realizado na escola o 2º Painel Direitos Humanos, Movimento Estudantil e Comissão da Verdade. As atividades ocorreram durante o sábado letivo dedicado às ciências humanas, e contou com a participação de outros professores da área e alunos, que tiveram oportunidade de ter contato com o trabalho desenvolvido pelo grupo do projeto.

A programação teve início com a apresentação da peça teatral Anos de Chumbo no Julinho - As Condições Ideais Para o Amor, montada pelo grupo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do teatro, coordenado pelo bolsista Hérlon, estudante da UFRGS, e supervisionado pelo professor Vinícius, professor de teatro da escola. A peça homenageia o ex-aluno Luiz Eurico Tejera Lisboa, e é baseada no livro Condições Ideais Para o Amor, que reúne seus poemas e cartas à sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna da escola.

Em seguida os alunos Mariana Guimarães de Fraga, Maria Camila e Lucas Wilhelm Lopes da Silva apresentaram informações sobre as vidas de Nilton Rosa da Silva, Luiz Eurico Tejera Lisboa e Jorge Alberto Basso, ex-alunos julianos que foram mortos na luta contra as ditaduras do Cone Sul, e desde 2003 são homenageados através de um quadro situado no saguão da escola.

Na terceira parte da programação, deram depoimentos os convidados Cláudio Antônio Weyne Gutierrez, Calino Pacheco Filho, Ignez Maria Serpa Ramminger, e Raul Ellwanger, todos atuantes na luta contra a ditadura, tanto no movimento estudantil como na luta clandestina, em diferentes grupos como o POC, VAR-Palmares e VPR, entre outras.
Calino faz parte do Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça. Gutierrez é autor do livro A Guerrilha Brancaleone, uma das obras que serve de base bibliográfica para o nosso projeto. Ambos já haviam participado do 1º painel, em novembro de 2012, e já colaboraram com o projeto concedendo entrevistas.
Ignez Serpa, com quem tivemos o primeiro contato, falou sobre sua militância política e suas ideias, e se disponibilizou a colaborar na pesquisa desenvolvida pela aluna Mariana. O músico Raul Elwanger, que atua no Comitê Carlos de Ré, além de falar sobre sua experiência na militância no Brasil e o exílio no Chile, tocou algumas músicas de seu repertório.

Os professores e alunos do projeto Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade agradecem aos convidados, e também ao grupo do PIBID do teatro, pela sua participação nesta atividade.
Agradecemos também à direção da escola que nos deu apoio e condições para a realização do evento, e ao colega professor Cláudio Vogt Jr que fez o registro em vídeo.
Por fim agradecemos ainda a todos os colegas professores e aos alunos que se integraram neste sábado letivo.

4 de setembro de 2013

41 anos da morte de Luiz Eurico Lisbôa

Nesta semana se completaram 41 anos do assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, ex-aluno do Julinho. Luiz Eurico foi expulso da escola pela sua militância estudantil, preso e fichado no DOPS pela tentativa de reabrir o Grêmio Estudantil da escola, atuou na direção da UGES e entrou para a luta armada, integrando a VAR-Palmares e a ALN. Foi assassinado pela repressão em São Paulo em 1972 e sepultado com nome falso no cemitério de Perus, em São Paulo. A versão oficial era de suicídio. Seus restos mortais foram identificados em 1979, após uma longa busca de sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna do Julinho. Este ano, uma perícia nas fotografias e no laudo desmentiu a tese do suicídio.

Trecho de uma carta de Luiz Eurico à Suzana, publicada no livro Condições Ideais Para o Amor:
Fiquei com pena de todos eles, Suzana. Dos que mentem, dos que invejam, dos empertigados, dos ambiciosos, dos que fazem do amor um remédio, um passatempo, um negócio, um paliativo. E percebi quão poucos entre nós chegaram ao sentimento final do combate que travamos. Eles não compreendem, Suzana, que nós somos um momento na luta que o Homem vem enfrentando através da História, cada vez mais conscientemente, pela felicidade. Não entendem que nós buscamos, em última análise, as condições ideais para o amor. Tanto no plano coletivo, como individual. E acabam negando, no dia-a-dia, como eu neguei até te conhecer, o objetivo que aparentaram querer atingir.

Leia matéria publicada nesta segunda-feira no site Sul21 sobre Luiz Eurico.

* A revolução que está por vir: 41 anos sem Luiz Eurico Tejera Lisbôa (link para a matéria no Sul21).

15 de junho de 2013

Nei Lisboa - O Futuro do Exterminador



O músico gaúcho Nei Lisboa é irmão de Luiz Eurico Tejera Lisboa, ex-aluno do Julinho assassinado pela repressão em setembro de 1972 em São Paulo.



O Futuro do Exterminador
(Nei Lisboa)

Quê? Não pode ser
Olha aquele cara ali falando na televisão
Quem? Não pode ser, não
Olha esse retrato, é o diabo
Candidato a bom cidadão
Hein? Não pode, não
Nem aqui agora, nem em outra encarnação
Eu digo, quem? Presta atenção
Esse torturava, esse era a mão do ditador
E agora vem, pede à nação
Pede de presente o futuro do exterminador
Eu digo não, pelo país
Pela honra, a terra, o céu civil do ano 2000
Eu digo, quem? Não pode, não
Esse limbo fede
E quer medalha, emprego, proteção
Mas nem num mundo cão
Veste-se de glória a História acorrentada num porão
Por cem, mais de um milhão
Por um só pecado, o teu papel passado é de vilão
Nem vem pedir perdão
Vai pedir pro Vlado
Estende, que ele puxa a tua mão

* Leia sobre Luiz Eurico Tejera Lisbôa aqui.

3 de junho de 2013

Laudo desmente suicídio


Um laudo técnico elaborado para a Comissão Nacional da Verdade desmente a tese de suicídio para a morte de Luiz Eurico Tejera Lisbôa. O laudo mostra que a cena foi montada duas vezes, primeiro para parecer que houve resistência à prisão, e depois para fazer parecer um suicídio.

 

Declaração de Suzana Lisbôa (também ex-aluna do Julinho e viúva de Luiz Eurico):
É muito duro esperar 40 anos para saber a verdade, ou parte da verdade. Sei agora, graças ao laudo, que ele foi morto. Mas como, por quem? Espero que a comissão possa nos dizer. Pior ainda são os que, passados mais de 40 anos, não sabem de nada - a não ser que morreram. Nós, familiares, somos discriminadas. Não somos as loucas, somos as que sempre cobramos respostas, somos as que lutamos por verdade e justiça durante todos esses anos.

(Origem da foto:  http://oglobo.globo.com/pais/laudo-da-comissao-da-verdade-desmente-suicidio-de-militante-da-aln-em-1972-8576799)