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14 de setembro de 2014

Audiência da CNV - Militares Perseguidos no RS


Os militares militares perseguidos no Rio Grande do Sul durante o período da ditadura, serão ouvidos pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Estadual da Verdade. Os depoimentos serão colhidos na segunda-feira, 15 de setembro, das 13h às 18h, em Porto Alegre, no salão Alberto Pasqualini, no palácio Piratini, sede do governo do estado.

Os convocados a depor, mesmo após o golpe de 1964 e até o fim da ditadura em 1988, mantiveram seus ideais e não aceitaram o golpe de Estado e a tomada de poder pelas Forças Armadas. Mesmo sob forte repressão, os oficiais fiéis a João Goulart não deixaram de apoiar o governo derrubado e, nos anos seguintes, foram importantes na luta pelo retorno da democracia. Também foram perseguidos militares nacionalistas e de esquerda e policiais da Brigada Militar do estado.

A audiência será transmitida ao vivo em www.cnv.gov.br/aovivo.

Leia a notícia completa na página da CNV:

15 de abril de 2014

Nota Pública da CNV Sobre os 50 Anos do Golpe Militar

No dia 31 de março, a Comissão Nacional da Verdade divulgou uma nota pública sobre os 50 anos do Golpe Militar no Brasil.
 
50 anos do golpe de Estado de 1964

Há cinquenta anos um golpe de estado militar destituiu o governo constitucional do presidente João Goulart. Instaurou por longo tempo no país um regime autoritário que desrespeitava os direitos humanos; no qual os direitos sociais de muitos eram ignorados; em que os opositores e dissidentes foram rotineiramente perseguidos com a perda dos direitos políticos, a detenção arbitrária, a prisão e o exílio; onde a tortura, os assassinatos, os desaparecimentos forçados e a eliminação física foram sistematicamente utilizados contra aqueles que se insurgiam. Neste cinquentenário, a Comissão Nacional da Verdade quer homenagear essas vítimas e reafirmar sua determinação em ajudar a construir um Brasil cada vez mais democrático e mais justo.

A Comissão Nacional da Verdade nasceu com o objetivo de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período. Baseia-se na convicção de que a verdade histórica tem como objetivo não somente a afirmação da justiça, mas também preparar a reconciliação nacional, como vem assentado no seu mandato legal. Esteia-se na certeza de que o esclarecimento circunstanciado dos casos de tortura, morte, desaparecimento forçado, ocultação de cadáver e sua autoria, a identificação de locais, instituições e circunstâncias relacionados à prática de violações graves de direitos humanos, constituem dever elementar da solidariedade social e imperativo da decência, reclamados pela dignidade de nosso país. Não deveria haver brasileiro algum ou instituição nacional alguma que deles se furtassem sob qualquer pretexto.

No ano passado comemoramos os vinte cinco anos da promulgação da Constituição Brasileira de 1988. Oitenta e dois milhões de brasileiros nasceram sob o regime democrático. Mais de oitenta por cento da população brasileira nasceu depois do golpe militar. O Brasil que se confronta com o trágico legado de 64, passados cinquenta anos, é literalmente outro. O país se renovou, progrediu e busca redefinir o seu lugar no concerto das nações democráticas. Não há por que hesitar em incorporar a esta marcha para adiante a revisão de seu passado e a reparação das injustiças cometidas. Pensamos ser este o desejo da maioria. É certamente o sentido do trabalho da Comissão Nacional da Verdade.

Brasília, 30 de março de 2014.
Comissão Nacional da Verdade


28 de fevereiro de 2014

Relatório Preliminar da CNV Sobre o Caso Rubens Paiva

http://www.cnv.gov.br/index.php/outros-destaques/442-relatorio-da-cnv-aponta-autores-de-tortura-e-morte-de-rubens-paiva

Um dos casos mais emblemáticos da violenta repressão à oposição política do período da ditadura civil-militar está sendo finalmente esclarecido. Nesta quinta-feira (27/02), a Comissão Nacional da Verdade apresentou no Arquivo Nacional o relatório parcial da investigação sobre o desaparecimento e assassinato do deputado Rubens Paiva, que foi preso, torturado, assassinado em 1971, sendo ainda desconhecido o paradeiro de seu corpo. O relatório indica os autores diretos e indiretos da tortura e da morte do deputado. O foco das próximas investigações deverá ser a ocultação do cadáver.

Rubens Paiva foi preso no dia 20 de janeiro de 1971, em sua própria casa, no Rio de Janeiro, por agentes do CISA (órgão de inteligência da Aeronáutica), e levado ao quartel da 3ª Zona Aérea, comandado pelo Brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, onde sofreu as primeiras torturas. No mesmo dia foi entregue ao Destacamento de Operações e Informações (DOI) do I Exército, comandado pelo major José Antônio Nogueira Belham. Logo após ser recebido, Rubens Paiva foi interrogado com uso de tortura, juntamente com Cecília Viveiros de Castro e Marilene de Lima Corona, por agentes do DOI e do CIE.

O major Belham, mesmo tendo sido alertado de que o preso poderia morrer, nada fez para impedir as torturas ou prestar atendimento à vítima. Após a morte do deputado, o major comandou o planejamento e a execução da farsa montada para sustentar a versão de que Rubens Paiva teria sido resgatado.

Um levantamento da CNV indica que nos oito meses em que Belham comandou o DOI do Rio de Janeiro, foram mortos ou estão desaparecidos pelo menos outros nove presos políticos que estiveram em algum momento sob a custódia daquela unidade militar.

Leia a notícia completa na página da CNV, e verifique alguns dos links disponibilizados no texto.