No dia 31 de março, dia da DEScomemoração dos 50 anos do golpe militar, o grupo Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade organizou o painel A Luta Juliana na Ditadura, no qual participaram os ex-alunos e militantes Suzana Keniger Lisbôa, Barnabé Medeiros Filho e Cláudio Antônio Weyne Gutierrez.
Ficamos muito felizes por conseguir um espacinho na agenda tão lotada de cada um deles! O público participou, perguntou!
Apesar da falta de luz no início, o público colaborou e o evento foi um sucesso!
Depoimento de Suzana Lisboa na audiência da Comissão Nacional da Verdade realizada em Porto Alegre no dia 18 de março de 2013. Suzana informa que há, no RS, quarenta e uma pessoas mortas ou desaparecidas do período da ditadura militar, e fala sobre alguns dos casos.
Durante o ato desta quarta-feira, o prefeito Fortunati e o governador Tarso Genro anunciaram que a prefeitura e o governo do estado irão dividir o valor do imóvel, dando prosseguimento ao processo de desapropriação, com o objetivo de criar no local o Centro de Memória Ico Lisboa. A reforma do imóvel e a manutenção ficarão a cargo do governo federal, e o prefeito informou que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, já se comprometeu com o projeto.
O ato contou com a participação de ativistas de movimentos que lutam pelos direitos humanos e pelo resgate da memória do período da ditadura, além de militantes de diversos partidos políticos. Houve uma apresentação do grupo de teatro Ói Nós Aqui Traveiz, e apresentações musicais de Nei Lisboa, Raul Ellwanger e outros.
Vídeo com a apresentação de Nei Lisboa (publicado por Edson Oliveira):
O cartunista Carlos Latuff fez um desenho durante o ato.
Carlos Latuff desenhando. Fotografia de Évelin Argenta (Rádio Gaúcha).
Tivemos a oportunidade de encontrar algumas das pessoas que tem
colaborado com o nosso projeto, como Cláudio Gutierrez, Ignez Serpa, e o
músico Raul Ellwanger, além de fazer novos contatos.
Nesta semana se completaram 41 anos do assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, ex-aluno do Julinho. Luiz Eurico foi expulso da escola pela sua militância estudantil, preso e fichado no DOPS pela tentativa de reabrir o Grêmio Estudantil da escola, atuou na direção da UGES e entrou para a luta armada, integrando a VAR-Palmares e a ALN. Foi assassinado pela repressão em São Paulo em 1972 e sepultado com nome falso no cemitério de Perus, em São Paulo. A versão oficial era de suicídio. Seus restos mortais foram identificados em 1979, após uma longa busca de sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna do Julinho. Este ano, uma perícia nas fotografias e no laudo desmentiu a tese do suicídio. Trecho de uma carta de Luiz Eurico à Suzana, publicada no livro Condições Ideais Para o Amor:
Fiquei com pena de todos eles, Suzana. Dos que mentem, dos que invejam, dos empertigados, dos ambiciosos, dos que fazem do amor um remédio, um passatempo, um negócio, um paliativo. E percebi quão poucos entre nós chegaram ao sentimento final do combate que travamos. Eles não compreendem, Suzana, que nós somos um momento na luta que o Homem vem enfrentando através da História, cada vez mais conscientemente, pela felicidade. Não entendem que nós buscamos, em última análise, as condições ideais para o amor. Tanto no plano coletivo, como individual. E acabam negando, no dia-a-dia, como eu neguei até te conhecer, o objetivo que aparentaram querer atingir.
Em
2011, dois estudantes encontraram, por acaso, documentos que podem revelar
outro caso de falso suicídio de um militante de esquerda durante a ditadura. Davi
dos Santos e Graziane Ortiz Righi, estudantes de história da UFRGS,
encontraram, nos arquivos do Tribunal de Justiça do Estado, documentos
referentes à morte de Ângelo Cardoso da Silva, militante do grupo M3G (Marx,
Mao, Marighella e Guevara), em 22 de abril de 1970, ocorrida no Presídio Central de Porto Alegre. O caso parece assemelhar-se
ao da morte de Vladimir Herzog. Os
pesquisadores entraram em contato com Suzana Lisbôa, ligada à
Comissão de Mortos e Desaparecidos da Ditadura Militar, conversaram com
familiares da vítima e obtiveram autorização para levar o caso adiante.
Atualmente a descoberta está sendo investigada pela CNV.
Um laudo
técnico elaborado para a Comissão Nacional da Verdade desmente a tese de
suicídio para a morte de Luiz Eurico Tejera Lisbôa. O laudo mostra que a cena
foi montada duas vezes, primeiro para parecer que houve resistência à prisão, e
depois para fazer parecer um suicídio.
Declaração
de Suzana Lisbôa (também ex-aluna do Julinho e viúva de Luiz Eurico):
É
muito duro esperar 40 anos para saber a verdade, ou parte da verdade. Sei
agora, graças ao laudo, que ele foi morto. Mas como, por quem? Espero que a
comissão possa nos dizer. Pior ainda são os que, passados mais de 40 anos, não
sabem de nada - a não ser que morreram. Nós, familiares, somos discriminadas.
Não somos as loucas, somos as que sempre cobramos respostas, somos as que
lutamos por verdade e justiça durante todos esses anos.
(Origem da foto: http://oglobo.globo.com/pais/laudo-da-comissao-da-verdade-desmente-suicidio-de-militante-da-aln-em-1972-8576799)