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12 de abril de 2014

Barnabé Medeiros Filho

Fotografia: Mariana Fraga

No painel A Luta Juliana na Ditadura, realizado na manhã do dia 31 de março, no auditório Luiz Eurico Tejera Lisbôa, um dos convidados foi o ex-aluno Barnabé Medeiros Filho. Nascido em Tubarão (SC), Medeiros veio para Porto Alegre ainda criança. Cursou o antigo ginásio no Inácio Montanha, e em seguida o curso científico no Julinho, entre 1964 e 1966.

No Julinho, Medeiros começou a participar do Grêmio Estudantil em 1965, no cargo de juiz. Na época, o Grêmio Estudantil se organizava em um sistema parlamentarista, com uma estrutura de três poderes. O judiciário do grêmio era composto por juízes eleitos nas turmas de 2º ano. Mais tarde foi também representante de turma.

Ainda no Julinho filiou-se ao Partido Operário Revolucionário-Trotskista (POR-T) e após concluir o científico passou a dedicar-se mais à militância, além de começar a trabalhar como bancário e a participar do sindicato da categoria. Mudou-se para São Paulo, onde passou a ser responsável pela edição do jornal do partido. Em 1972 foi preso no DOI-CODI paulista, onde foi torturado. Ficou preso por mais de um ano, e após a libertação começou a trabalhar como jornalista, profissão que exerceu até recentemente.

Atualmente reside em São Paulo e é escritor, com quatro livros publicados. Em fevereiro lançou o livro 1964 - O golpe que marcou a ferro uma geração.

15 de novembro de 2013

Painel sobre Movimento Estudantil e Ditadura.

Raul Ellwanger, Bárbara Nunes, Maria Camila, Sérgio Ozório,
Mariana Fraga, Ignez Serpa, Cláudio Gutierrez, e Calino Pacheco.

No dia 9 de novembro foi realizado na escola o 2º Painel Direitos Humanos, Movimento Estudantil e Comissão da Verdade. As atividades ocorreram durante o sábado letivo dedicado às ciências humanas, e contou com a participação de outros professores da área e alunos, que tiveram oportunidade de ter contato com o trabalho desenvolvido pelo grupo do projeto.

A programação teve início com a apresentação da peça teatral Anos de Chumbo no Julinho - As Condições Ideais Para o Amor, montada pelo grupo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do teatro, coordenado pelo bolsista Hérlon, estudante da UFRGS, e supervisionado pelo professor Vinícius, professor de teatro da escola. A peça homenageia o ex-aluno Luiz Eurico Tejera Lisboa, e é baseada no livro Condições Ideais Para o Amor, que reúne seus poemas e cartas à sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna da escola.

Em seguida os alunos Mariana Guimarães de Fraga, Maria Camila e Lucas Wilhelm Lopes da Silva apresentaram informações sobre as vidas de Nilton Rosa da Silva, Luiz Eurico Tejera Lisboa e Jorge Alberto Basso, ex-alunos julianos que foram mortos na luta contra as ditaduras do Cone Sul, e desde 2003 são homenageados através de um quadro situado no saguão da escola.

Na terceira parte da programação, deram depoimentos os convidados Cláudio Antônio Weyne Gutierrez, Calino Pacheco Filho, Ignez Maria Serpa Ramminger, e Raul Ellwanger, todos atuantes na luta contra a ditadura, tanto no movimento estudantil como na luta clandestina, em diferentes grupos como o POC, VAR-Palmares e VPR, entre outras.
Calino faz parte do Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça. Gutierrez é autor do livro A Guerrilha Brancaleone, uma das obras que serve de base bibliográfica para o nosso projeto. Ambos já haviam participado do 1º painel, em novembro de 2012, e já colaboraram com o projeto concedendo entrevistas.
Ignez Serpa, com quem tivemos o primeiro contato, falou sobre sua militância política e suas ideias, e se disponibilizou a colaborar na pesquisa desenvolvida pela aluna Mariana. O músico Raul Elwanger, que atua no Comitê Carlos de Ré, além de falar sobre sua experiência na militância no Brasil e o exílio no Chile, tocou algumas músicas de seu repertório.

Os professores e alunos do projeto Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade agradecem aos convidados, e também ao grupo do PIBID do teatro, pela sua participação nesta atividade.
Agradecemos também à direção da escola que nos deu apoio e condições para a realização do evento, e ao colega professor Cláudio Vogt Jr que fez o registro em vídeo.
Por fim agradecemos ainda a todos os colegas professores e aos alunos que se integraram neste sábado letivo.

14 de setembro de 2013

O funeral de Nilton Rosa

Esta semana, no dia 11 de setembro, completaram-se 40 anos do golpe militar ocorrido no Chile, que derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende, dando início à sangrenta ditadura de 17 anos do general Pinochet. A morte de Nilton Rosa, ex-aluno do Julinho e militante do MIR, está intimamente ligada a este golpe militar. Nilton foi assassinado três meses antes, por membros da ultradireita golpista, quando participava de uma manifestação de apoio ao governo de Allende.


A fotógrafa norte-americana Amy Conger estava vivendo no Chile, onde lecionava na Universidade, quando Nilton Rosa foi assassinado, no dia 15 de junho de 1973. Dois dias depois ela acompanhou o funeral e, por ter contatos entre os militantes da esquerda chilena, foi autorizada a fotografar o cortejo, que contou com a presença de cerca de cem mil pessoas. Após o golpe de 11 de setembro que colocou o general Pinochet no poder, pelo temor de ter suas fotos apreendidas e utilizadas para identificar os militantes da esquerda, Amy destruiu as fotografias reveladas e enviou os negativos para seu país natal. Em 2010 ela publicou o livro Nilton da Silva Rosa: June 17, Santiago. "We Don't Forget the Color of Blood". As fotografias mostram um panorama dos movimentos de esquerda da América Latina e da comoção causada pelo assassinato de Nilton. O nome completo de Nilton (Nilton Rosa da Silva) encontra-se invertido no título do livro por uma confusão, pois na língua espanhola o sobrenome paterno costuma ser o segundo nome, antecedendo o materno. 

* Nilton da Silva Rosa: June 17, Santiago. "We Don't Forget the Color of Blood". Amy Conger. Nolvido Press, 2010 (link para adquirir o livro, é possível visualizar todo o livro no site). 

Sobre Nilton, a autora escreveu:
Nilton, um líder marxista do sul do Brasil, precisou entrar na clandestinidade. Ele deixou seu país em 1971 como milhares de outros. O hino chileno descreve o Chile como "un asilo contra la opresión". Ele ingressou no Departamento de Literatura Espanhola da Universidade do Chile.
Ele era conhecido como um falador incessante, um galanteador incansável, um trovador com o violão, um marxista internacional, um líder natural e um poeta. Seus companheiros de curso, seus colegas de faculdade, o amavam.
Ele também sabia o que havia ocorrido e estava ocorrendo no Brasil então, e contava a seus companheiros, em detalhes, em technicolor, sobre tortura, desaparecimentos e assassinatos. Ele havia estado lá, participado. Como uma multidão de chilenos, eles acreditavam que isto nunca poderia acontecer no Chile pois, eles explicaram, eles tinham a mais longa tradição democrática de qualquer país na América Latina. (Quantas vezes eu ouvi isso?) Ele costumava responder: Que es libertade?


As ruas pertenciam a Nilton naquela manhã. As calçadas estavam lotadas. Eu nunca imaginei que houvesse tantos apoiadores da UP [Unidad Popular, coligação pela qual Allende fora eleito] em Santiago dispostos a caminhar 10 km até o Cemitério Geral. Ali estavam de fato milhares de bandeiras e coroas de flores de todos os partidos de esquerda da América Latina, incluindo aqueles que sequer tinham a aprovação do MIR.
Para mim, as cenas mais memoráveis foram os estudantes com bandeiras erguidas no teto da Escola de Medicina gritando "Nilton da Silva?" e a multidão respondendo "Presente"; os estudantes em ambos os lados da rua baixando suas bandeiras quando o carro fúnebre de Nilton aproximava-se e passava; o Comitê Político do MIR totalmente exposto a um ataque cirúrgico dos fascistas, encabeçando a marcha dos enlutados; e as milhares de pessoas erguendo seus pulsos, subindo na columbaria, cantando a Internacional, enquanto o caixão é colocado em seu nicho.
As pessoas pareciam compreender que aquela seria a última grande manifestação da esquerda. Nilton representou seus objetivos e não apenas aqueles do povo chileno mas das pessoas anti-imperialistas e militantes ao redor do mundo que estavam tentando distribuir riqueza através dos meios democráticos.

Outro livro de Amy Conger resultado de sua estada no Chile entre 1972 e 1973 é Bienvenido to Nueva Havana: Santiago, Chile 1972-1973. Este livro reúne imagens da vila Nueva Havana, em Santiago, uma experiência de comunidade autogestionária iniciada em 1970, que sofreu intervenção dos militares após o golpe. Também estas fotografias foram escondidas e só foram publicadas recentemente pelo risco de serem utilizadas pela repressão da ditadura de Pinochet na identificação de apoiadores do governo de Allende.

Fotografias e citações: Amy Conger.

4 de setembro de 2013

41 anos da morte de Luiz Eurico Lisbôa

Nesta semana se completaram 41 anos do assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, ex-aluno do Julinho. Luiz Eurico foi expulso da escola pela sua militância estudantil, preso e fichado no DOPS pela tentativa de reabrir o Grêmio Estudantil da escola, atuou na direção da UGES e entrou para a luta armada, integrando a VAR-Palmares e a ALN. Foi assassinado pela repressão em São Paulo em 1972 e sepultado com nome falso no cemitério de Perus, em São Paulo. A versão oficial era de suicídio. Seus restos mortais foram identificados em 1979, após uma longa busca de sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna do Julinho. Este ano, uma perícia nas fotografias e no laudo desmentiu a tese do suicídio.

Trecho de uma carta de Luiz Eurico à Suzana, publicada no livro Condições Ideais Para o Amor:
Fiquei com pena de todos eles, Suzana. Dos que mentem, dos que invejam, dos empertigados, dos ambiciosos, dos que fazem do amor um remédio, um passatempo, um negócio, um paliativo. E percebi quão poucos entre nós chegaram ao sentimento final do combate que travamos. Eles não compreendem, Suzana, que nós somos um momento na luta que o Homem vem enfrentando através da História, cada vez mais conscientemente, pela felicidade. Não entendem que nós buscamos, em última análise, as condições ideais para o amor. Tanto no plano coletivo, como individual. E acabam negando, no dia-a-dia, como eu neguei até te conhecer, o objetivo que aparentaram querer atingir.

Leia matéria publicada nesta segunda-feira no site Sul21 sobre Luiz Eurico.

* A revolução que está por vir: 41 anos sem Luiz Eurico Tejera Lisbôa (link para a matéria no Sul21).

24 de agosto de 2013

Semana Temática Nilton Rosa (3)

Fotografia: Jornal do Povo

Uma das boas surpresas na nossa participação na Semana Nilton Rosa foi a oportunidade de conhecer o professor paulista Ariceu Vieira, que também participou da luta armada contra a ditadura, sendo amigo de Nilton e convivendo com ele no início da década de 1970. Ele estava em Cachoeira do Sul, por outras razões, acompanhando a esposa, que é natural desta cidade, quando ficou sabendo da homenagem à Nilton Rosa através do jornal e entrou em contato com os organizadores para dar seu testemunho. Sua participação foi na mesma tarde em que apresentamos o projeto Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade.

Ariceu conviveu com Nilton no Chile. Juntos, percorreram o país atuando em uma montagem da peça O Pagador de Promessa, baseada na obra de Dias Gomes. Relata que o estudante gaúcho nunca revelava sua origem, embora o sotaque denunciasse que era do Rio Grande do Sul. Até agora, Ariceu não sabia que a cidade natal de sua esposa era também a do seu grande amigo.

Seu depoimento foi muito emocionado. Relatou que estava presente no momento em que Nilton foi metralhado, e acompanhou seu funeral. Defendeu o resgate de memória do período da ditadura nas escolas, e se colocou à disposição para colaborar com o nosso projeto. O Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, entrevistou Ariceu.

Testemunha ocular da história do mártir: Segredo é desvendado 40 anos após a morte do cachoeirense que virou herói no Chile  - Jornal do Povo - 19/08/2013 - 06h00 por Luís Bacedoni (link para a matéria do jornal - para visualizar é necessário fazer o cadastro).

A matéria do jornalista Luís Bacedoni, que acompanhou e divulgou a programação durante a semana, também deu destaque à participação do Julinho na programação.


Fotografia: Jornal do Povo

Julinho prepara documentário sobre ex-alunos

O Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de Porto Alegre, um dos principais redutos de resistência à ditadura militar nos anos 70, prepara um documentário sobre os ex-alunos que combateram a repressão, entre eles o cachoeirense Nilton Rosa. Conhecidos como brancaleones”, alusão ao filme italiano “O incrível exército de Brancaleone”, dirigido por Mario Monicelli, os estudantes que agitaram o colégio Julinho nos anos de chumbo eram considerados anarquistas e atrapalhados.
"O Orelhinha chegou a ser intimado para comparecer à direção da escola e assinar documento no qual se comprometia em não promover desordens", relatou a professora pesquisadora Bárbara Maria Nunes. A estudante Mariana Guimarães de Fraga, que também integra o grupo de pesquisa, fez um relato sobre o cachoeirense e garantiu que ele não cumpriu os termos do acordo feito com a direção do Julinho e acabou sendo expulso da escola. O ano era 1968 e o país estava sob o jugo do Ato Institucional nº 5, que cerceou direitos civis e instalou a fase mais cruel da ditadura militar.
FILME - De acordo com a professora Bárbara, a pesquisa sobre os ex-estudantes que morreram lutando contra a ditadura está em andamento e o objetivo é produzir um documentário resgatando essa memória. Além de Orelhinha, outros dois alunos do Julinho foram mortos pelo regime militar: Luiz Eurico Lisboa, irmão do cantor e compositor Nei Lisboa, e o argentino Jorge Basso, que desapareceu quando lutava contra a ditadura militar em seu país de origem.
Para nós, o evento realizado em Cachoeira do Sul foi uma grande oportunidade de conhecer contatos que podem nos ajudar a aprofundar a pesquisa sobre este ex-aluno juliano, além de divulgar o projeto realizado em nossa escola.

22 de agosto de 2013

Semana Temática Nilton Rosa (2)

O Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, publicou uma série de matérias cobrindo a programação da Semana Nilton Rosa, que ocorreu de 12 a 17 de agosto. No dia 16, sexta-feira, o jornalista Luís Bacedoni noticiou a nossa participação no evento.

Professores e estudantes do Julinho vêm falar sobre Orelhinha

Atividades deste sábado encerram semana alusiva ao militante que virou mártir no Chile

Professores e estudantes do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de
Porto Alegre, estarão neste sábado, em Cachoeira do Sul, para fazer o
encerramento da Semana Nilton Rosa, que resgatou a trajetória do
cachoeirense morto no Chile em 1973.
O painel sobre Orelhinha trará novas revelações sobre o ativista que
virou herói da resistência chilena contra a ditadura.
O grupo do Colégio Julinho está realizando uma pesquisa sobre o
cachoeirense, que foi estudante da escola nos anos 70, antes de ir para
o Chile.
Durante toda a semana um calendário de atividades foi realizado, no Bar
América, para resgatar a figura do jovem que lutou contra os regimes
militares no continente.
Um dos pontos altos da semana ocorreu na segunda-feira, quando os
economistas Ubiratan de Souza, o Bibica, e Calino Pacheco Filho,
conterrâneos que conviveram com Orelhinha, falaram sobre o personagem
que é considerado mártir pelos chilenos.
A semana foi organizada pela Coordenadoria Municipal da Juventude e
Levante Popular da Juventude (LPJ).
* Jornal do Povo: 16/08/2013 - 21h26 por LUIS BACEDONI (link para a notícia na página do jornal - para visualizar a matéria é necessário fazer cadastro).

18 de agosto de 2013

Semana Temática Nilton Rosa (1)

Ontem estivemos em Cachoeira do Sul, participando da Semana Temática Nilton Rosa. Este evento cultural, que homenageou o ex-estudante juliano e militante do MIR natural desta cidade, ocorreu entre os dias 12 e 17 deste mês, e foi promovido pelo Levante Popular da Juventude e pelo Grêmio Estudantil do Instituto João Neves da Fontoura, com o apoio da Prefeitura Municipal de Cachoeira do Sul.

Luciana Canto, Coordenadora de Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura Municipal de Cachoeira do Sul, esteve no Julinho em busca de informações sobre Nilton Rosa e, ao conhecer o projeto Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade, nos convidou para participar. Fomos muito bem recebidos e tivemos uma oportunidade única de estabelecer novos contatos, obter novas informações sobre Nilton para nossa pesquisa, e divulgar o nosso projeto. Estiveram presentes os professores Sérgio e Bárbara, e as alunas Mariana Fraga e Maria Camila.

Outro participante do evento foi Calino Pacheco, membro do Comitê Popular Memória Verdade e Justiça, amigo e companheiro de militância estudantil do Nilton, que já colaborou com nosso projeto em 2012.

* Confira aqui a programação desenvolvida no evento.

17 de julho de 2013

Professora Eugênia Grimberg


A professora Eugênia Grimberg graduou-se em Geografia e História em dezembro de 1945, e já no início de 1946 foi nomeada professora de história no Julinho, assumindo as turmas de 1ª, 2ª e 3ª séries do colegial noturno.

Ao entrar na escola enfrentou resistência de professores antigos, motivados por preconceito contra professoras oriundas dos cursos de licenciatura da faculdade de filosofia, pois até então predominavam formados em outras áreas, sem formação pedagógica, como engenheiros, médicos, farmacêuticos e advogados, que muitas vezes lecionavam disciplinas para as quais não tinham formação. Em seu relato, a professora Eugênia afirma que os alunos do Julinho não se destacavam apenas pelo seu desempenho escolar, mas também por um alto grau de politização e ativismo.

Após o golpe militar de 1º de abril de 1964, a imprensa passou a denunciar professores supostamente subversivos, que deveriam ser punidos e banidos das escolas. A professora Eugênia foi denunciada por colegas do Julinho, e demitida com base no Ato Institucional n. 1 (AI-1), de 9 de abril. Estas são as "acusações" que constam na denúncia da Comissão Estadual de Investigação:
1.   Elemento de ideias esquerdizantes e por cuja divulgação se empenhou, inclusive através de recomendação de livros didáticos de autores de reconhecida posição esquerdista.
2.   Aplaudiu a proposição de solidariedade a Cuba, realizada em frente ao Colégio Júlio de Castilhos.
3.   Concitou o comparecimento ao Comício do Largo da Prefeitura de 1º-4-64, de apoio à resistência armada contra a Revolução Democrática.
4.   Após a vitória deste movimento, afirmou em aula, no Colégio Júlio de Castilhos que a vitória agora havia sido dos gorilas, mas que, no futuro, as forças populares reagiriam e se tornariam vitoriosas.
Fonte: GRIMBERG, Eugênia, Noventa anos do Colégio Júlio de Castilhos. In: LIMA, Otávio Rojas (org.), Memórias do "Julinho". Porto Alegre: ed. Sagra, 1990.

15 de julho de 2013

Professor Décio Nunes Floriano


Décio Nunes Floriano exerceu militância política desde cedo, tendo participado da campanha pela entrada do Brasil na Segunda Guerra, contra os países do Eixo, e mais tarde do Movimento Mundial pela Paz. Militou na UNE, e enquanto estudava na Faculdade de Filosofia, atuou como professor no Curso Gratuito Franklin Delano Roosevelt, criado por iniciativa dos alunos da universidade para preparar alunos maiores de 18 anos para exames de conclusão do ginásio e do colégio. Bacharel em matemática e física, e lecionou no Instituto Porto Alegre (IPA) e no Colégio Sinodal, em São Leopoldo.
 
Décio ingressou no magistério estadual através de concurso público durante a gestão do governador Ernesto Dornelles. Em abril de 1951 foi nomeado professor de física no Julinho. Por suas opiniões políticas, aproximou-se do historiador e militante comunista Jacob Gorender. Durante o governo de João Goulart, manifestou-se favorável às reformas de base anunciadas.

No dia 13 de março de 1964 os professores do estado realizaram uma assembleia geral, onde se decidiram por uma greve, exigindo a implementação do pagamento dos salários de janeiro e fevereiro, que os professores não recebiam. O professor Décio foi uma das lideranças nesta greve, que foi vitoriosa, passando os professores a ter férias remuneradas.

Poucos dias após o golpe militar, no dia 9 de abril de 1964, foi decretado o Ato Institucional nº 1 (AI-1), com base no qual o professor Décio Floriano foi demitido sob a acusação de “atentar contra o regime democrático e a segurança nacional”. No mesmo ano, todas as turmas que se formavam na escola, tanto no ginásio quanto no colegial, o homenagearam escolhendo-o como paraninfo. Em função disso, a cerimônia de formatura foi cancelada.

No documento da denúncia, da Comissão Estadual de Investigação, constam as seguintes “acusações”:
1.   Comunista militante. Tendo participado de movimentos comunistas desde 1945 e das frentes legais deste, como a “Aliança Pela Paz”.
2.   Promotor de movimentos subversivos, como a greve ilegal do Magistério, em 1964.
3.   Elemento ligado ao líder comunista Jacob Gorender.
4.   Partidário da “Frente de Mobilização Popular Pelas Reformas de Base”.
5.   Reagiu contra a Revolução Democrática de 31 de março, inclusive incitando comparecimento ao comício do Largo da Prefeitura, do dia 1º de abril.
As demissões com base nos Atos Institucionais da ditadura civil-militar foram anuladas, no estado, em outubro de 1986.

Fonte: FLORIANO, Décio, Depoimento. In: LIMA, Otávio Rojas (org.), Memórias do "Julinho". Porto Alegre: ed. Sagra, 1990.

15 de junho de 2013

Documentário - Exilados


Neste sábado, 15 de junho, data da morte de Nilton Rosa, a rede RBS exibiu o documentário curta-metragem Exilados, na série Histórias Curtas. O vídeo, dirigido por Boca Migotto, mostra a viagem de Carlos Beust de Oliveira e seu filho Pedro, ao Chile.
No trajeto, Carlos, que era amigo de Nilton Rosa, com quem militou no MIR, relembra momentos do seu exílio e conta a história a Pedro, a quem só foi conhecer quando este já tinha 18 anos de idade.
Ambos visitam lugares como o Museu da Memória, que relembra os crimes da ditadura chilena, o Estádio Nacional, onde ficaram confinados os prisioneiros políticos, e a Universidade do Chile, onde há um jacarandá plantado em homenagem a Nilton Rosa.