10 de dezembro de 2013
Exposição - Desculpe a confusão: estamos de mudança!
Hoje, às 20h, no Memorial do Rio Grande do Sul, ocorre a abertura da exposição Desculpe a confusão: estamos de mudança! - A redemocratização nas ruas entre 1975 e 1988. A exposição é composta por trabalhos de cartunistas e fotógrafos gaúchos, e enfoca a retomada do espaço público como espaço de atuação política pelos movimentos sociais, a partir de 1975, quando as manifestações de rua gradualmente voltam a ganhar força.
A exposição é organizada pelos historiadores Carla Rodeghero, Dante Guazzelli e Gabriel Dienstmann (também autores do livro Não Calo, Grito: memória visual da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul), e conta com o trabalho dos cartunistas e fotógrafos Marco Couto, Luiz Eduardo Achutti, Antonio Vargas, Ricardo Chaves, Eduardo Tavares, Luiz Abreu, Daniel de Andrade, Edgar Vasques, Santiago, Sampaulo e Luis Fernando Verissimo.
O Memorial do RS fica na rua Sete de Setembro, nº 1020, Praça da Alfândega. A exposição ficará aberta para visitação de 11 de dezembro a 12 de janeiro.
* Página da exposição no Facebook.
* Notícia no site da Comissão Estadual da verdade.
8 de dezembro de 2013
Restos mortais de João Goulart sepultados em São Borja
Os restos mortais do presidente João Goulart receberam, na última sexta-feira, um novo sepultamento na cidade de São Borja. Desta vez a cerimônia foi acompanhada das honras militares cabíveis a um chefe de Estado, que não ocorreram na ocasião de sua morte em 1976, durante a ditadura civil - militar. A cerimônia foi acompanhada por familiares, autoridades civis e militares, integrantes da CNV, e milhares de cidadãos que lotaram as ruas para acompanhar o cortejo em carro aberto.
Os restos mortais de Jango haviam sido exumados no dia 13 de novembro, para que fosse realizada uma perícia, com laudo toxicológico, que faz parte da investigação para descobrir se foi assassinado ou se realmente morreu em consequência de problemas cardíacos. Até a manhã do dia 9 encontravam-se em Brasília, no Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal (INC/DPF), onde foram coletadas as amostras para os exames toxicológicos, que serão enviados a laboratórios estrangeiros. A exumação foi uma decisão da CNV e do Ministério Público do RS, que investiga o caso em um inquérito civil. O trabalho contou com a consultoria da Cruz Vermelha internacional.
* Leia a notícia completa no site da CNV.
* Fotos e mais informações no Facebook da CNV: http://on.fb.me/1bmnph9
Os restos mortais de Jango haviam sido exumados no dia 13 de novembro, para que fosse realizada uma perícia, com laudo toxicológico, que faz parte da investigação para descobrir se foi assassinado ou se realmente morreu em consequência de problemas cardíacos. Até a manhã do dia 9 encontravam-se em Brasília, no Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal (INC/DPF), onde foram coletadas as amostras para os exames toxicológicos, que serão enviados a laboratórios estrangeiros. A exumação foi uma decisão da CNV e do Ministério Público do RS, que investiga o caso em um inquérito civil. O trabalho contou com a consultoria da Cruz Vermelha internacional.
* Leia a notícia completa no site da CNV.
* Fotos e mais informações no Facebook da CNV: http://on.fb.me/1bmnph9
3 de dezembro de 2013
Vídeo - ato no Dopinha
Vídeo chamando para o ato do dia 18, em frente ao Dopinha (antigo centro clandestino de tortura, na rua Santo Antônio, n. 600), pela transformação do imóvel em um centro de memória homenageando Luiz Eurico Lisboa.
1 de dezembro de 2013
Entrevista com Ignez Maria Serpa Ramminger
No dia 26 de novembro de 2013, eu, em companhia da professora Mara de Azevedo Ávila, como convidada, tive o privilégio, a honra e o prazer de entrevistar a militante Ignez Maria Serpa Ramminger.
Ignez contou sobre toda a sua vida como
militante, antes e depois da prisão em 1970! Ela é um belo exemplo de
resistência politica e feminina! No decorrer da entrevista fiquei surpresa ao ouvi-la contar com riqueza de
detalhes sobre a tortura, o que achei importante para sabermos e jamais deixar
voltar!
A
sensação de realizar essa entrevista foi muito boa pois há muito tempo adoro
estudar esse período e ouvir da Ignez esse relato foi simplesmente maravilhoso!
Ela está escrevendo um livro e convidou o grupo
para o lançamento dele! Certamente será ótimo!
A experiência foi incrível e, no final, a
professora Mara Ávila deixou o seguinte questionamento:
O QUE ESTAMOS FAZENDO COM A DEMOCRACIA?
30 de novembro de 2013
Livros para o público infanto-juvenil
O livro Brasil: Ditadura Militar - Um livro para os que nasceram bem depois é voltado para o público infanto-juvenil. As autoras são a historiadora e psicóloga Elaine de Almeida Bortone, professora Joana D’Arc Fernandes Ferraze a ilustradora Diana Helene.
O livro trata da ditadura civil - militar sob o ponto de vista da menina Clarice, que testemunhou os principais momentos do período e a perseguição sofrida por seus familiares. É uma boa opção para tratar do tema com o público infanto-juvenil que ainda não estudou o assunto historicamente.
Os protestos ocorridos no Brasil a partir de junho motivaram as autoras a disponibilizar a obra para o público. No link, é possível visualizar o livro completo, além de fazer o download em PDF.
Quem estiver interessado na compra do livro deve escrever para o e-mail
brasilditaduramilitar@gmail.com.
Outra publicação voltada para o público infantil é o livro argentino Quien Soy? Relatos sobre identidad, nietos y reencuentros, que narra algumas das historias dos 109 netos reencontrados pelas Avós da Praça de Maio em 36 anos de buscas.
28 de novembro de 2013
Blog Resistência em Arquivo
A equipe responsável pelo projeto Resistência em Arquivo, promovido pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), criou o blog Resistência em Arquivo: Memória e História na Ditadura, para divulgar as atividades de educação patrimonial desenvolvidas nas oficinas.
* Leia o Editorial do blog Resistência em Arquivo: Memória e História na Ditadura.
Portal da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
Foi lançado o portal da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, elaborado a partir de informações do livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da SDH em 2007.
No site é possível encontrar a lista oficial de mortos e desaparecidos políticos, com suas biografias e informações sobre procedimentos administrativos que os envolvam. Também há uma ferramenta chamada Lugares da Memória, que permite fazer buscas aos locais em que foram cometidas violações contra os direitos humanos ou de resistência e combate às violações.
* Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Politicos
27 de novembro de 2013
Vídeo - Visita ao DOI-CODI do 2º Exército
A Comissão Nacional da Verdade e as comissões Estadual e Municipal da Verdade de São Paulo estão solicitando o tombamento dos prédios que serviram de sede do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) do 2º Exército, em São Paulo, o maior centro de tortura e morte a funcionar no Brasil, no período de 1970 a 1977. Ali estiveram presos mais de 5 mil pessoas, e houve mais de 50 mortes. Os defensores do tombamento defendem que ele seja transformado em um memorial em homenagem às vítimas de repressão.
Hoje, as comissões fizeram uma visita aos imóveis e ouviram o depoimento de oito ex-presos políticos que narraram um pouco do que sofreram e testemunharam no local.
* Comissões da Verdade pedem o tombamento da área em que funcionava o Doi-Codi, em SP (link para a notícia na página da CNV).
24 de novembro de 2013
Oficina no Arquivo Pùblico
O Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, através do seu programa de educação patrimonial, lançou a oficina Resistência em Arquivo: Patrimônio, Ditadura e Direitos Humanos. A oficina, dirigida a alunos do ensino médio, utiliza seis processos administrativos de indenização, referentes a Cláudio Gutierrez, Ignez Serpa, Alcides Kitzmann, Eloy Martins,
Emílio Neme, e Nilce Azevedo Cardoso. De tempos em tempos os processos utilizados na oficina podem ser substituídos.
Na cerimônia de lançamento da oficina, na noite de 05/11, foi realizada uma homenagem aos homens e mulheres que combateram a ditadura e sofreram violações de direitos neste período. Os convidados foram recepcionados com a exposição Resistência em Arquivo: uma oficina, muitas histórias de luta montada pela equipe de Ação Educativa da APERGS a pertir da reprodução dos materiais utilizados nas oficinas, fotos de estudantes que participaram das mesmas, e material produzido por estes alunos após a oficina.
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23 de novembro de 2013
Ato público no Dopinha
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| Fotografia http://comitedaverdadeportoalegre.wordpress.com/ |
O Comitê Carlos de Ré da Verdade Memória e Justiça do Rio Grande do Sul promove, no dia 18 de dezembro, a partir das 12h, um ato público na casa conhecida como Dopinha, situada na rua Santo Antônio, nº 600, que era utilizada pelas forças de repressão como centro clandestino de tortura.
Às 19h30min ocorrerá um ato político, com a afixação de uma placa lembrando a função para a qual o imóvel era utilizado, e um sarau musical. O objetivo do ato é chamar a atenção da sociedade e pressionar os governos municipal, estadual e federal para a transformação do local em um memorial, o Sítio de Memória Ico Lisboa, homenageando Luiz Eurico Tejera Lisboa.
Um dos presos torturados no Dopinha foi o sargento Manoel Raimundo Soares, cujo corpo foi encontrado nas águas do Guaíba com as mãos e os pés amarrados. O episódio ficou conhecido como "caso das mãos amarradas".
O Comitê Carlos de Ré integra a Rede Brasil de Memória, Verdade e Justiça. Seu nome homenageia outro ex-aluno do Julinho que militou no movimento estudantil e combateu a ditadura militar, Carlos Alberto Tejera de Ré, primo de Luiz Eurico.
Leia a carta do Comitê Carlos de Ré lançando a campanha para a criação do memorial.
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15 de novembro de 2013
Painel sobre Movimento Estudantil e Ditadura.
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| Raul Ellwanger, Bárbara Nunes, Maria Camila, Sérgio Ozório, Mariana Fraga, Ignez Serpa, Cláudio Gutierrez, e Calino Pacheco. |
No dia 9 de novembro foi realizado na escola o 2º Painel Direitos Humanos, Movimento Estudantil e Comissão da Verdade. As atividades ocorreram durante o sábado letivo dedicado às ciências humanas, e contou com a participação de outros professores da área e alunos, que tiveram oportunidade de ter contato com o trabalho desenvolvido pelo grupo do projeto.
A programação teve início com a apresentação da peça teatral Anos de Chumbo no Julinho - As Condições Ideais Para o Amor, montada pelo grupo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do teatro, coordenado pelo bolsista Hérlon, estudante da UFRGS, e supervisionado pelo professor Vinícius, professor de teatro da escola. A peça homenageia o ex-aluno Luiz Eurico Tejera Lisboa, e é baseada no livro Condições Ideais Para o Amor, que reúne seus poemas e cartas à sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna da escola.
Em seguida os alunos Mariana Guimarães de Fraga, Maria Camila e Lucas Wilhelm Lopes da Silva apresentaram informações sobre as vidas de Nilton Rosa da Silva, Luiz Eurico Tejera Lisboa e Jorge Alberto Basso, ex-alunos julianos que foram mortos na luta contra as ditaduras do Cone Sul, e desde 2003 são homenageados através de um quadro situado no saguão da escola.
Na terceira parte da programação, deram depoimentos os convidados Cláudio Antônio Weyne Gutierrez, Calino Pacheco Filho, Ignez Maria Serpa Ramminger, e Raul Ellwanger, todos atuantes na luta contra a ditadura, tanto no movimento estudantil como na luta clandestina, em diferentes grupos como o POC, VAR-Palmares e VPR, entre outras.
Calino faz parte do Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça. Gutierrez é autor do livro A Guerrilha Brancaleone, uma das obras que serve de base bibliográfica para o nosso projeto. Ambos já haviam participado do 1º painel, em novembro de 2012, e já colaboraram com o projeto concedendo entrevistas.
Ignez Serpa, com quem tivemos o primeiro contato, falou sobre sua militância política e suas ideias, e se disponibilizou a colaborar na pesquisa desenvolvida pela aluna Mariana. O músico Raul Elwanger, que atua no Comitê Carlos de Ré, além de falar sobre sua experiência na militância no Brasil e o exílio no Chile, tocou algumas músicas de seu repertório.
Os professores e alunos do projeto Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade agradecem aos convidados, e também ao grupo do PIBID do teatro, pela sua participação nesta atividade.
Agradecemos também à direção da escola que nos deu apoio e condições para a realização do evento, e ao colega professor Cláudio Vogt Jr que fez o registro em vídeo.
Por fim agradecemos ainda a todos os colegas professores e aos alunos que se integraram neste sábado letivo.
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3 de novembro de 2013
CEV-RS entrega relatório.
Na última quinta-feira, 31 de outubro, o coordenador da Comissão Estadual da Verdade, Carlos Guazzelli, entregou ao governador Tarso Genro o segundo relatório de trabalho sobre as violações aos direitos humanos na ditadura.
27 de outubro de 2013
Apresentado o cronograma para a exumação de Jango
A Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, apresentou na sexta-feira, em Porto Alegre, o andamento do processo para a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, programada para o dia 13 de novembro.
* Ministra apresenta cronograma de exumação de Jango para 13 legendas (link para a notícia na página da SDH).
* Ministra apresenta cronograma de exumação de Jango para 13 legendas (link para a notícia na página da SDH).
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OAB pede revisão da Lei da Anistia.
Nesta última semana a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou que vai apresentar uma nova ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para rever a Lei da Anistia. Esta nova ação se baseia na decisão de 2010 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que considerou o Brasil responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas na Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1974, determinando que o Estado brasileiro investigue os fatos e puna os responsáveis.
* Deu no O Globo: OAB vai propor nova ação para rever a Lei da Anistia (link para a notícia na página da OAB).
* Deu no O Globo: OAB vai propor nova ação para rever a Lei da Anistia (link para a notícia na página da OAB).
13 de outubro de 2013
22 de setembro de 2013
O Sistema Nacional de Informações (SISNI)
No dia 20 de setembro a Comissão Nacional da Verdade, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva" e a Comissão Municipal da Verdade "Vladimir Herzog" realizaram audiência conjunta A Cadeia de Comando da Repressão. Foi apresentada a organização do Sistema Nacional de Informações (SISNI), um "conjunto de órgãos destinados à produção de informações em proveito da política de segurança e da política de desenvolvimento do país", encabeçado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI). Os documentos demonstram que o conjunto de órgãos de repressão se reportava diretamente à Presidência da República.
A integrante da CNV Rosa Cardoso afirmou:
* Link para a apresentação completa em pdf da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva": SISNI - Sistema Nacional de Informações: O terrorismo de Estado implantado no país a partir do golpe de Estado de 1964.
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| Organograma do SISNI, apresentado na audiência. |
A integrante da CNV Rosa Cardoso afirmou:
O conjunto de documentos que nós vamos conhecendo, e o conjunto de depoimentos que colhemos, nos ajudam a ter uma visão mais clara e a desfazer certos mitos, como, por exemplo, o de que o golpe foi feito para salvar a democracia. O golpe foi planejado e executado por cerca de 400 militares que, desde a década de 50, seja nos estudos da Escola Superior de Guerra, no Ipes ou no Ibad, para impor um estado de segurança nacional, militarizado, para construir uma máquina de guerra antirrevolucionária. Foi apresentado aqui hoje o organograma da cadeia de repressão e agora é preciso complementá-lo com os nomes, o que mostra que temos muito trabalho pela frente.* Link para a notícia no site da CNV.
* Link para a apresentação completa em pdf da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva": SISNI - Sistema Nacional de Informações: O terrorismo de Estado implantado no país a partir do golpe de Estado de 1964.
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14 de setembro de 2013
O funeral de Nilton Rosa
Esta semana, no dia 11 de setembro, completaram-se 40 anos do golpe militar ocorrido no Chile, que derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende, dando início à sangrenta ditadura de 17 anos do general Pinochet. A morte de Nilton Rosa, ex-aluno do Julinho e militante do MIR, está intimamente ligada a este golpe militar. Nilton foi assassinado três meses antes, por membros da ultradireita golpista, quando participava de uma manifestação de apoio ao governo de Allende.
A fotógrafa norte-americana Amy Conger estava vivendo no Chile, onde lecionava na Universidade, quando Nilton Rosa foi assassinado, no dia 15 de junho de 1973. Dois dias depois ela acompanhou o funeral e, por ter contatos entre os militantes da esquerda chilena, foi autorizada a fotografar o cortejo, que contou com a presença de cerca de cem mil pessoas. Após o golpe de 11 de setembro que colocou o general Pinochet no poder, pelo temor de ter suas fotos apreendidas e utilizadas para identificar os militantes da esquerda, Amy destruiu as fotografias reveladas e enviou os negativos para seu país natal. Em 2010 ela publicou o livro Nilton da Silva Rosa: June 17, Santiago. "We Don't Forget the Color of Blood". As fotografias mostram um panorama dos movimentos de esquerda da América Latina e da comoção causada pelo assassinato de Nilton. O nome completo de Nilton (Nilton Rosa da Silva) encontra-se invertido no título do livro por uma confusão, pois na língua espanhola o sobrenome paterno costuma ser o segundo nome, antecedendo o materno.
* Nilton da Silva Rosa: June 17, Santiago. "We Don't Forget the Color of Blood". Amy Conger. Nolvido Press, 2010 (link para adquirir o livro, é possível visualizar todo o livro no site).
Sobre Nilton, a autora escreveu:
Outro livro de Amy Conger resultado de sua estada no Chile entre 1972 e 1973 é Bienvenido to Nueva Havana: Santiago, Chile 1972-1973. Este livro reúne imagens da vila Nueva Havana, em Santiago, uma experiência de comunidade autogestionária iniciada em 1970, que sofreu intervenção dos militares após o golpe. Também estas fotografias foram escondidas e só foram publicadas recentemente pelo risco de serem utilizadas pela repressão da ditadura de Pinochet na identificação de apoiadores do governo de Allende.
Fotografias e citações: Amy Conger.
A fotógrafa norte-americana Amy Conger estava vivendo no Chile, onde lecionava na Universidade, quando Nilton Rosa foi assassinado, no dia 15 de junho de 1973. Dois dias depois ela acompanhou o funeral e, por ter contatos entre os militantes da esquerda chilena, foi autorizada a fotografar o cortejo, que contou com a presença de cerca de cem mil pessoas. Após o golpe de 11 de setembro que colocou o general Pinochet no poder, pelo temor de ter suas fotos apreendidas e utilizadas para identificar os militantes da esquerda, Amy destruiu as fotografias reveladas e enviou os negativos para seu país natal. Em 2010 ela publicou o livro Nilton da Silva Rosa: June 17, Santiago. "We Don't Forget the Color of Blood". As fotografias mostram um panorama dos movimentos de esquerda da América Latina e da comoção causada pelo assassinato de Nilton. O nome completo de Nilton (Nilton Rosa da Silva) encontra-se invertido no título do livro por uma confusão, pois na língua espanhola o sobrenome paterno costuma ser o segundo nome, antecedendo o materno.
* Nilton da Silva Rosa: June 17, Santiago. "We Don't Forget the Color of Blood". Amy Conger. Nolvido Press, 2010 (link para adquirir o livro, é possível visualizar todo o livro no site).
Sobre Nilton, a autora escreveu:
Nilton, um líder marxista do sul do Brasil, precisou entrar na clandestinidade. Ele deixou seu país em 1971 como milhares de outros. O hino chileno descreve o Chile como "un asilo contra la opresión". Ele ingressou no Departamento de Literatura Espanhola da Universidade do Chile.
Ele era conhecido como um falador incessante, um galanteador incansável, um trovador com o violão, um marxista internacional, um líder natural e um poeta. Seus companheiros de curso, seus colegas de faculdade, o amavam.
Ele também sabia o que havia ocorrido e estava ocorrendo no Brasil então, e contava a seus companheiros, em detalhes, em technicolor, sobre tortura, desaparecimentos e assassinatos. Ele havia estado lá, participado. Como uma multidão de chilenos, eles acreditavam que isto nunca poderia acontecer no Chile pois, eles explicaram, eles tinham a mais longa tradição democrática de qualquer país na América Latina. (Quantas vezes eu ouvi isso?) Ele costumava responder: Que es libertade?
As ruas pertenciam a Nilton naquela manhã. As calçadas estavam lotadas. Eu nunca imaginei que houvesse tantos apoiadores da UP [Unidad Popular, coligação pela qual Allende fora eleito] em Santiago dispostos a caminhar 10 km até o Cemitério Geral. Ali estavam de fato milhares de bandeiras e coroas de flores de todos os partidos de esquerda da América Latina, incluindo aqueles que sequer tinham a aprovação do MIR.
Para mim, as cenas mais memoráveis foram os estudantes com bandeiras erguidas no teto da Escola de Medicina gritando "Nilton da Silva?" e a multidão respondendo "Presente"; os estudantes em ambos os lados da rua baixando suas bandeiras quando o carro fúnebre de Nilton aproximava-se e passava; o Comitê Político do MIR totalmente exposto a um ataque cirúrgico dos fascistas, encabeçando a marcha dos enlutados; e as milhares de pessoas erguendo seus pulsos, subindo na columbaria, cantando a Internacional, enquanto o caixão é colocado em seu nicho.
As pessoas pareciam compreender que aquela seria a última grande manifestação da esquerda. Nilton representou seus objetivos e não apenas aqueles do povo chileno mas das pessoas anti-imperialistas e militantes ao redor do mundo que estavam tentando distribuir riqueza através dos meios democráticos.
Outro livro de Amy Conger resultado de sua estada no Chile entre 1972 e 1973 é Bienvenido to Nueva Havana: Santiago, Chile 1972-1973. Este livro reúne imagens da vila Nueva Havana, em Santiago, uma experiência de comunidade autogestionária iniciada em 1970, que sofreu intervenção dos militares após o golpe. Também estas fotografias foram escondidas e só foram publicadas recentemente pelo risco de serem utilizadas pela repressão da ditadura de Pinochet na identificação de apoiadores do governo de Allende.
Fotografias e citações: Amy Conger.
4 de setembro de 2013
41 anos da morte de Luiz Eurico Lisbôa
Nesta semana se completaram 41 anos do assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, ex-aluno do Julinho. Luiz Eurico foi expulso da escola pela sua militância estudantil, preso e fichado no DOPS pela tentativa de reabrir o Grêmio Estudantil da escola, atuou na direção da UGES e entrou para a luta armada, integrando a VAR-Palmares e a ALN. Foi assassinado pela repressão em São Paulo em 1972 e sepultado com nome falso no cemitério de Perus, em São Paulo. A versão oficial era de suicídio. Seus restos mortais foram identificados em 1979, após uma longa busca de sua esposa Suzana Lisboa, também ex-aluna do Julinho. Este ano, uma perícia nas fotografias e no laudo desmentiu a tese do suicídio.
Trecho de uma carta de Luiz Eurico à Suzana, publicada no livro Condições Ideais Para o Amor:
Leia matéria publicada nesta segunda-feira no site Sul21 sobre Luiz Eurico.
* A revolução que está por vir: 41 anos sem Luiz Eurico Tejera Lisbôa (link para a matéria no Sul21).
Trecho de uma carta de Luiz Eurico à Suzana, publicada no livro Condições Ideais Para o Amor:
Fiquei com pena de todos eles, Suzana. Dos que mentem, dos que invejam, dos empertigados, dos ambiciosos, dos que fazem do amor um remédio, um passatempo, um negócio, um paliativo. E percebi quão poucos entre nós chegaram ao sentimento final do combate que travamos. Eles não compreendem, Suzana, que nós somos um momento na luta que o Homem vem enfrentando através da História, cada vez mais conscientemente, pela felicidade. Não entendem que nós buscamos, em última análise, as condições ideais para o amor. Tanto no plano coletivo, como individual. E acabam negando, no dia-a-dia, como eu neguei até te conhecer, o objetivo que aparentaram querer atingir.
Leia matéria publicada nesta segunda-feira no site Sul21 sobre Luiz Eurico.
* A revolução que está por vir: 41 anos sem Luiz Eurico Tejera Lisbôa (link para a matéria no Sul21).
2 de setembro de 2013
41 anos da Morte de Luiz Eurico
Hoje, 02 de setembro de 2013, 41 anos da morte
de Luiz Eurico (Luiz morreu em 02 de setembro de 1972)! O militante que tanto
lutou contra a ditadura, foi morto em um quarto de uma pensão. Até há algum tempo
atrás a versão “oficial” era de suicídio. Mais uma vitória foi o novo atestado
de óbito de Luiz dizendo que ele infelizmente foi assassinado! O jovens que assim como ele lutaram contra a ditadura devem sempre ser lembrados!
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